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 A História da 1ª SM V8

Sempre gostei de motores com desempenho melhor do que o de fábrica.
Quando tinha 17 anos tive um Gordini com carburador um pouco maior e taxa de compressão 9:1. Isto foi em 1968.
Em 1969, foi a vez de um Fusca com motor 1600, dupla carburação e comando AP-4, cópia do Iskenderian V-1010.
Em 74, foi um Corcel (I) , com motor 1440 (as camisas dos pistões eram usinadas pois encostavam umas nas outras! Carburação Weber dupla horizontal DCO e comando. Foi meu trabalho de formatura na POLI em Engenharia Mecânica, em SP. Este carro atingia 195-200 Km/h, fazendo inveja aos Dodge Charger na época.

Passados muitos anos de calma, um dia, em 85 vi um SM81 e, não deu outra, comprei!
O resultado todos sabem, não comprei outro carro até 1998, quando achei um conversível branco 85.

Mas a história é do V8. Ela começa quando tinha este SM81, que por sinal, acho que é o que está em Brasilia, DF. Ele era 4 cilindros, 2,5l a álcool com turbo. Após quebrar a cabeça com ele consegui acertar e realmente "puxava" muito bem. Mas com o trânsito e andando devagar, não podia aproveitar melhor este tipo de mecânica aqui em SP.

Na oficina onde levo meus carros, recebi a sugestão do Jairo "Porque você não coloca um V8 ?", afinal a estrutura do SM poderia receber este motor sem problemas...
Isto ficou na cabeça. Compra revista aqui, Le artigos ali, etc. Afinal, era possível, apenas uma questão de planejamento adequado e conseguir os componentes.

Como em 96 estive nos EUA, aproveitei para comprar o conjunto Edelbrock RPM Performance, que contem um carburador, um comando e coletor de admissão afinado para se obter até 420 HP a 6000 RPM.
Um monstro!
Bom, eu já tinha o Kit e o motor?

Tentei trazer de todas as formas, procurei aqui, etc e isso foi de 97 a 99. Um belo dia consegui um motor 350 ano 88 muito novo. Avaliamos pelo que vimos dentro, ter cerca de 30 mil Km!. Por via das dúvidas, trocamos bronzinas pelas Clevite 77, jogo de juntas especiais e assim se passou o ano de 2000.

No final de 2000, trouxe diversas peças: bomba elétrica Holley, Distribuidor HEI, Velas Champion, Cabos de Silicone, Filtro de ar Edelbrock, etc. e o motor estava quase pronto.

E o câmbio? Não poderia usar o original devido a potência exagerada do motor. Resolvi estudar mais um pouco e me decidi pelo 700R4, um automático, que pode lidar com mais de 800HP, dependendo da preparação.
Também precisava me decidir por um controle, e optei pelo Street Fighter da TCI, que possibilita usar o cambio quase como se fosse manual.
Entre a decisão, a compra e até chegar aqui e montar, mais algum tempo

Será que cabe? Como o motor é uma forma irregular é muito difícil imaginar onde é que ele vai bater !
Para nosso desespero tínhamos alguns problemas:

- coletor de escape (o menor que consegui) , raspava na caixa de direção!
- parte traseira do motor batia no firewall !
- Carter batia na barra de direção !
- outras coisinhas !

Não há nada que algumas horas (dias) de paciência não resolvesse e foi conseguimos colocar o V8 dentro, cortando um pedacinho do firewall, cortando e invertendo um pedaço do coletor de escape, invertendo a barra da direção e rebatendo uma parte do carter, graças à paciência e criatividade do Jairo.
Finalmente o motor estava lá dentro. 

O câmbio também demandou um pequeno recorte do chão e pronto, estava ele lá no lugar. Reduzido o comprimento do cardã, estava quase tudo em ordem.

Faltava o motor de arranque que também não deu para usar o original e foi trazido às pressas um modelo compacto da Powermaster.
O escapamento foi feito e utilizado o silencioso da D20, com ótimo resultado.

Finalmente chegou a hora de dar partida !
E não é que funcionou?!
Estava ansioso para ver o resultado.

Devido ao comando bravo a rotação mínima com torque útil seria 1500 RPM, mas devido ao câmbio automático eu esperava uma compensação deste problema.
Ficou um pouco crítico para a saída e levei alguns dias para acertar o pé no acelerador.
Na realidade precisa-se de muita delicadeza na saída, que com o tempo a gente acostuma e depois de alguns dias pode-se andar no trânsito quase como se fosse o motor original.

Foi feito ajuste do conta-giros e velocímetro para as novas relações.

Depois de dois meses fazendo desenhos e imaginando como disfarçá-los resolvi por três "tomadas de ar", que foram gentilmente moldadas e chumbadas por um amigo, em fibra e depois a pintura em uma oficina especializada.

Quanto ao desempenho , não pude ainda medir objetivamente, mas posso garantir que ficou um "monstro".
A 110Km/h o motor está a 1500 RPM, pronto para acelerar...
A aceleração é muito boa e tem muita folga de torque e potência.
Ultrapassagens são muito rápidas e seguras e a agilidade na cidade também é muito boa.

Estabilidade apesar da mudança de motor não ter provocado mudanças significativas, que eu acredito que tenha sido algo em torno dos 60-80Kg, troquei as molas dianteiras pelas do Opala "6 cil, c/ ar" com 1 1/2 elos a menos com amortecedores com 60% a mais de pressão e na traseira usei as molas do Opala 6cil com um elo a menos e amortecedores também com 60% a mais de pressão (Receita do Monteiro que é muito boa!), aliás os amortecedores traseiros do SM eram os dianteiros do Alfa Romeo 2300, que hoje são equivalentes aos traseiros do Opala Diplomata 92. As rodas permanecem as 16" x 8" , agora com pneus Yokohama A539 225x50xZR16, com muito bom resultado.

A Refrigeração foi finalmente resolvida trocando-se o miolo do radiador original por outro com 11 aletas por polegada, junto com o ventilador elétrico original ficou muito bom, mesmo com o trânsito e calor, que agora em São Paulo é comum os 30 graus. Porém para não ter mais dúvidas a respeito foi acrescentado um ventilador adicional elétrico de 1000cfm com acionamento manual, o qual ainda não foi necessário ligar, pois até agora a temperatura não passou de 82-83 graus.

Ainda estão para serem resolvidas: 


- Frenagem: Claro que seria desejável e está nos planos melhorar a eficiência dos freios. Já comprei os freios dianteiros do Omega CD que impressiona pelas diferenças comparando com o original do Opala. Vamos instalar em breve! 


E assim está o nosso SM 5.7, um sonho que há muito tempo pensava em realizar.

Armando Natali Jr

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