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Reformando a paixão - Marcus Dias Hadler

Minha paixão pelas Santa Matildes começou em 1987. Eu tinha na época 12 - 13 anos, mas já era completamente fissurado em carros, tinha aprendido a dirigir nas F-100, F-1000 e Pampas da fazenda de meu pai, além de já encher o saco dele para dar umas voltinhas nos carros da família quando estávamos na fazenda. Naquele tempo, torcíamos o pescoço para ver na rua Escort XR-3 (infelizmente com o fraquinho motor 1.6), Monza SR 1.8S e os Gols GT / GTS. Até que em meados de 87 um tio meu comprou uma Santa Matilde Coupê 1986 cinza escura (chassis SMA639CHZ86JHE - que por sinal ainda não descobri onde anda). Ela já havia tido um primeiro dono, mas era zerada, show de bola, um canhão. 
Embora os Diplomatas com seis canecos também tivessem seu charme e fama de velozes, ficavam muito distantes do sonho de consumo da gurizada, com seu apelo e design conservador e discreto, fazendo mais a cabeça dos mais velhos. 
Voltando à Santa Matilde de meu tio, esta sim, me fez cair o queixo. Era exclusiva, tinha visual único, design esportivo e um tremendo motorzão 6cc. Ainda me lembro da primeira (e única) vez que a dirigi, na fazenda, quando fui repreendido para ter cuidado em uma curva feita de lado - mas a sensação fora indescritível (estradinha de chão batido, tração traseira, motorzão... já viram, né?!)...
Bueno, apesar dos protestos dos sobrinhos, o tio a trocou - pasmem - por uma Quantum GL em 1989...
A paixão ficou latente, mas não pensei mais no assunto e fui tocar minha vida. Vestibular, faculdade, trabalho, e volta e meia topava com uma... Ficava olhando meio de lado, mas tinha outras prioridades. Enquanto isso meu pai e meu irmão começavam sua coleção de carros antigos (Ford 1936, Chevroltet 1939 4P, barata Chevrolet 1939, barata Ford 1940, Chevrolet Bel Air 1953, Maverick GT 1974 e Super Luxo 1975, Mercedes 450 SLC 76 e 350 SL 1976, Mercedes 560 SEL 87...) e eu acompanhando... Não era minha área, meu negócio era ter carros novos, mas com o intenso convívio e sendo esta doença contagiosa, comecei a me interessar por clássicos. 
Com o advento de meu casamento (parei de torrar grana em festas) começou a sobrar uma graninha e comecei em 2002 a procurar "uma sarna para me coçar"... Aí meus amigos, a paixão que estava latente voltou com força total. Assediei todo e qualquer proprietário de Santa Matilde que conhecia, e todo mundo fazendo jogo duro, nada de vender. Comecei a me inteirar mais do assunto e vi de perto uma conversível. Bah, juntou "a fome com a vontade de comer" porque além de ser uma rica SM, era conversível, o que agrega um atrativo a mais. 
A estas alturas meu Pai e meu irmão botavam cada vez mais "lenha na fogueira" e nada de encontrar uma santa conversível à venda... Até que, quando eu menos esperava saiu em um Domingo, 03/08/2003, um anúncio no Jornal Zero Hora de Porto Alegre, vendendo uma SM conversível "prata" a álcool. No dia 07/08/2003 a 699 (cinza azulada, exatamente da mesma cor da coupê que o meu tio tinha 16 anos atrás) já estava na minha garagem com seus 88 mil km originais no odômetro.
Após uma análise inicial, verifiquei os principais problemas da minha nova "amante":
- grades não originais;
- capota de lona desgastada, descolorada, e com pequenos rasgos e problemas de vedação;
- pneus velhos e dois de cada tipo.

Meus primeiros toques foram: uma vedação precária da capota, troca de todos os fluidos, líquidos, óleo do motor, caixa, direção hidráulica, freios, filtros; troca dos pneus (04 Michelin HX-MS 205/65 R15), geometria, balanceamento, revisão dos freios e suspensão. 
O passo seguinte fora uma revisão completa e troca de gás do Ar Condicionado, que ficou legal - mas como todos sabem, não mantém o carro gelado como os de carros novos. Através do contato obtido no site com o Zé Carvalho, adquiri do Fernando Moneratt as grades e sinaleiras sobressalentes (tanto dianteiras como traseiras).
Pronto, o carro estava bom para andar, porém o desejo maior era de deixá-lo zerado, acertando a pintura (estava cheia de pés-de-galinha, e micro trincadinhos) e colocando uma capota de lona nova. 
Neste primeiro ano rodei 11.000 km com o carro assim, em viagens pelo RS (Gramado, Canela, Caxias do Sul, Ana Rech, Bento Gonçalves) tendo ido em outubro de 2004 inclusive à Passo Fundo no III Encontro do Clube do Santa Matilde 4.1 RS - que nada mais é do que a ramificação sulina do SMClube, tocado pelo Erivelto. Na ocasião, pra me encher de orgulho a 699 foi agraciada como o carro mais original do evento. Uma honra tendo em vista tantos carros excelentes presentes.
E foi em Passo Fundo, conversando e conhecendo figuras notáveis como o Erivelto, o Rodrigo Boss (parceiro de comboio), o Christian, a figura do Paulo Ricardo Nunes, os irmãos Feijó, é que decidi não mais reformar (botando couro, espelhos elétricos e demais itens não originais) mas sim restaurar, deixando a 699 como veio de fábrica. Com exceção, é óbvio, do motor. Neste caso um outro (que não o original) já está sendo reservado para preparação.

Aí que começa a história... Achar um bom pintor, foi fácil. Na minha cidade somente um tem experiência em pinturas de carros em fibra. . O carro entrou no estaleiro no dia 22/10/2004 - imediatamente após o Encontro de Passo Fundo. Começamos o trabalho com todo o cuidado na desmontagem do carro, com uma atenção toda especial aos vidros, que são peças raras. Ao vê-la na casca, surpreendemo-nos ao ver o quão íntegra ela estava, mesmo com tantos anos de vida. Comprou-se o courvin preto e o tecido do carpete, todos no padrão original do carro. Na escolha da cor, utilizou-se o cinza urban da linha VW 2003, que ficou muito próximo (um pouco mais perolizado) do que o cinza original. A SM teve sua pintura original toda removida à mão, com espátulas e secador de cabelo. Para acabamento é que foram utilizadas lixas finas. Levou um fundo PU verde clarinho e logo após um cinza, deixando-a pronta para o banho de tinta. Segundo o pintor, um dos macetes para se trabalhar em fibra que é um material que trabalha muito, é utilizar-se do mínimo de material possível (fundo e tinta) sobre a mesma. A 699 teve sua pintura concluída em 15/12/2004, como que um presente de Natal antecipado. Foi para o estofador no mesmo dia, mas seu interior veio a ficar pronto somente em 27/01/2005. O material para capota fora adquirido em dezembro, sendo que o capoteiro escolhido para a missão quase impossível de montar a cópia nova da capota original começou seu trabalho em 05/01/2005, concluindo o mesmo com pleno êxito no dia 09/02/2005. 
Foram 110 dias de internação, bem menos tempo do que eu esperava.

Comecei a andar no carro para uso diário no dia 13/02/2005, e de lá para cá venho fazendo pequenos ajustes, alguma coisa da parte elétrica, reaperto dos bancos, etc. Coisas que somente com o uso vão aparecendo. Por enquanto, a mecânica permanece a mesma, a álcool, motor Chevrolet amarelo 100% original, mas após o Anual do Rio 2005 provavelmente a 699 terá um novo capítulo na sua vida. Por fim registro meus mais sinceros agradecimentos a meu Pai Paulo Roberto - meu maior inspirador e incentivador, do e meu irmão Germano pelos grandes conhecimentos técnicos e detalhismo, além de meu grande amigo e mecânico (ou médico?) oficial da "amante", Bira, que é quem realmente "mete a mão na massa".

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